Que a minha boca tem para te dizer!
São talhados em mármore de Paros,
Cinzelados por mim para te oferecer.
Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos para te endoidecer!
Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!
Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei,
Guardo os versos mais lindos que te fiz!
(...)
Mas não te invejo, Amor, essa indiferença,
Que viver neste mundo sem amar
É pior que ser cego de nascença!
Tu invejas a dor que vive em mim!
E quanta vez dirás a soluçar:
«Ah! Quem me dera, amar assim...»
- Florbela Espanca, «Os versos que te fiz» e «Frieza».
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