Deixaste de saber o caminho de cor para minha casa. Deixaste de entrar nela. Deixaste de partilhar sorrisos dentro dela. Deixaste de saber o caminho de cor para a minha vida, esqueceste no minuto a seguir a teres saído dela. Assim, sem nada, completo de nada, com nada no coração. Deixaste de te rir das minhas piadas, deixaste de conhecer o tom da minha voz, e a imagem do meu rosto foi-te apagada com o tempo, duma vez só. Arrependo-me do que não faço, mas muitas vezes desejava não ter feito muitas coisas. Desejava não ter dado de mim, assim, a quem não interessa a quem não mereceu metade do meu eu. Quero mais do que um coração meio cheio. Quero mais do que pessoas vazias. Não quero coleccionar pessoas. Quero coleccionar almas, coisas que deixam marca, que o vento não leva com um sopro. Coisas que a vida não tira, não arranca, não destrói. Quero...
(Este texto não é sobre nada. Não é sobre mim, não é sobre ti, nem sobre ninguém. Há muito que deixei de escrever sobre as pessoas, porque as pessoas não merecem a pena, todas elas, são como flores, bonitas mas no fim acabam sempre por murchar. Este texto é sobre desilusão. Da parte daqueles que mais gostamos. É sobre tudo aquilo que nos abandona, quando outrora caminha tão afincadamente ao nosso lado na estrada que é a vida. É sobre amores, amizades, sonhos...tudo aquilo que já se perdeu, ou na verdade nunca se teve. Cada um interpreta como quiser.)
yours,
Márcia Santana
2 comentários:
Nem toda a gente acaba por murchar.
Muitas flores têm é espinhos que nos são invisiveis..
Recorda-te d'O Principezinho' e daquela flor que ele tanto gostava. :)
O texto está brilhante!
Super profundo, lembra-te ninguem tem um botão "on/off" e os caminhos podem não se realizar durante anos, pode até parecer que já não os sabemos de côr, mas por norma, o caminho corre-nos nas veias, e quando menos se espera, e quando mais se precisa, sozinhos os nossos pés realizam o caminho de sempre!
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