No outro dia pensei no amor em geral, mas fui ainda mais longe.
Pensei no amor dos meus avós. Apesar de todas as condicionantes, da minha avó não suportar o meu avô, de ter levado pancadas de meia noite durante todos os primeiros anos que estiveram casados uma coisa era indubitável: ela amava-o. Amou-o durante toda a vida e a vida deixou de ser vida quando ele partiu, tanto que agora se encontra numa cama de hospital à espera que a morte a leve de novo para perto dele. Isto é tão dramáticamente, tão estupidamente, tão trágicamente belo. É amor verdadeiro. É algo que não vejo nos dias de hoje, e é algo me questiono se algum dia irei alcançar, principalmente porque os tempos são outros. Naquela altura as mulheres calavam e permitiam tudo porque amavam porque eram donas de casa, porque era um escândalo o divórcio e nem sequer era uma coisa sobre a qual se sonhava, porque eram mulheres de um só homem. Eu pelo contrário, nunca iria permitir que me levantassem um dedo e a partir do momento em que tal acontece tudo se desvanece com essa pessoa: o respeito, a admiração, a confiança.
A mais bela forma de amor para mim, é a amizade, e a amizade é um sentimento muito mais sincero e verdadeiro que o amor, pois o amor enquanto paixão é traiçoeiro e a amizade apesar de também o ser, quando verdadeira, não é consumida por falsidades e traições.
1 comentário:
Lindo texto sobre o amor!
Gostei!
E gostei mais ainda quando dizes que não admitirás qualquer espécie de violência.
Se me permites uma achega, não esqueças as violências psicológicas. Elas não deixa marcas físicas, deixam marcas na alma, o que é muito mais pernicioso.
Portanto, avalia sempre tão bem quanto possível com quem te envolves... sem esquecer um detalhe: todos nós (homens e mulheres) tendemos a dar uma primeira imagem que não é a rea´l, é a que achamos que vai agradar.
Isto por vezes não é feito deliberadamente. É um mecanismo de auto-defesa e auto-valorização. Quantos casos conhecerás de pessoas que, pareendo muito calmas e ponderadas, se revelam depois, inseguras, deconfiadas e rancorosas...
É triste mas é a dura realidade. Vocês, jovens, tentem ver o que acontece com os mais velhos. Numa relação, se não houver verdadeiro amor, quando a paixão e o sabor da novidade se esfumarem, o que sobra pode ser muito mau e impossível de digerir e suportar.
Por isso, cuidado, muito cuidado. O homem é, por natureza, predador. Quando escolhe uma vítima, faz tudo, teatro inclusivé, para conquistar a presa. E quando assim é, depois da conquista o que sobra é um enorme nada afectivo e um resto que pode ser feito de violências de várias espécies, poucas físicas, muitas psicológicas. Por isso, todos os cuidados são poucos!
Este teu "velhíssimo" amigo.
Armando
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