Integridade não se trafica e tão pouco se distribui. A minha personagem austera e ignota está resguardada dos escombros de pessoas taciturnas; desditosas. Num arboreto lúgubre mas ao mesmo tempo abastecido de concepções e reminiscências vivas que mais ninguém ousa alcançar. Ter personalidade é exaustivo, e eu sou uma pessoa exaustiva. Exaustiva ao ponto de não ter a perseverança necessária para tolerar a falta de pureza intacta de outros. É maçador ser detentora de títulos e taças que não me pertencem, nem me foram entregues por mérito próprio. Simplesmente acharam que me ajustava ao lugar. Subi a um pódio que não é o meu, fiz e disse coisas que não me pertencem. É como se as palavras adquirissem vida na boca das pessoas, pessoas, essas que não existem em mim. Eu não as conheço. Nem pretendo tal imbecilidade. O sono faz-me deambular inocuamente por caminhos sinuosos que dão irremediavelmente a ti e à tua voz. Lembro-me sempre de ti em todos os monólogos interiores que habitam em mim. Porquê esta assiduidade prisioneira? Será que não moras em outros pensamentos de outras pessoas para além dos meus? Não tens outras estações para visitar? E outros comboios para apanhar? Ainda assim. É sempre na minha estação que paras. E eu fico à tua espera incessantemente, até olhar de novo para a fissura de luz que trazes fixa a ti. E cada vez é uma nova vez, porque cada vez, trazes um brilho diferente; um terno sopro de eternidade. Ali estás, e dali te vais. Uma e outra vez. Mas voltas sempre. Todas as vezes.
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