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Sentei-me.
Desliguei telemóveis, televisões.
Liguei os sentimentos à ficha electrica, e quem me dera desliga-la. O muito que quero, já não consigo ter, e o pouco que tenho, já não basta.
Saboreei as minhas próprias lágrimas vezes sem conta, fechei-me no meu próprio mundo mesmo estando com os meus queridos. Os sorrisos sairam arrancados, mas neles escondia-se a mágoa.
Que mágoa?
Sim, a mágoa...a mágoa de querer e não poder, a mágoa de saber que um fim se aproxima, a mágoa de ter pensado todo o tempo que iria ser diferente e que a felicidade tinha finalmente chegado para mim, e ter-me enganado. A mágoa de saber que um cão e um gato nunca foram amigos, que a filosofia reagge nunca estará de acordo com a filosofia gótica e que isto, bem ou mal, é exactamente a mesma coisa.
A incerteza está presente, a toda a hora. Mas agora penso, que será a derradeira, porque tantas promessas quebradas, nao se aguentarão nunca mais.
Há coisas assim, há pessoas que não estão destinadas a um certo destino. Eu estive destinada a levantar-me naquele dia, e vim pra casa destinada a saber que tinha sido um dia diferente. Mas foi só isso.
Foi um dia diferente, que me trouxe tudo, e talvez mesmo em demasiado.
Esse demasiado, reduziu-se a nada. Sinto, mas não sinto o mais importante: a vontade.
Aquela vontade que nos dá de sair porta fora e gritar para toda a gente que amas aquela pessoa, que poderiam vir mil pessoas, que aquela continuava a ser a única, que o resto fosse apenas isso: resto, que o sempre fosse realmente sempre, que as palavras ditas tivessem realmente significado e que o sentimento amor, nao tivesse mais poder que a palavra orgulho.
Depois disto, sei que não consigo mais.
Não por nao ter tentado, mas sim por nao ter conseguido. Não por nao amar, mas sim por ver que o resto ganhou em relação ao amor. Não por não acreditar, mas por ver que os caminhos a seguir são distintos, e que os objectivos de vida não coincidem .
Queria, mas não dá.
Amo, mas não dá.
Sobrevivo, até que a dor desapareça.
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